18 de novembro de 2019

Eu juro que não sabia, seu guarda

Por leandrodall

Aquele cheiro de mar era maravilhoso. A suave brisa logo pela manhã é sem igual. Juro que teria fechado meus olhos se não estivesse dirigindo. Só que esse sossego estava prestes a acabar.

O cenário não poderia ser mais propício: Pacific Coast Highway (estrada que cruza a Califórnia, margeando o Oceano Pacífico), uma das rodovias mais lindas do mundo.

Após dias maravilhosos em Los Angeles (optamos por ficar próximo ao píer de Santa Mônica), era hora de continuar nossa viagem e seguir até São Francisco. Estavam planejadas duas paradas (com pernoite) até nosso destino: Solvang e Carmel (os detalhes dessa rota exploraremos em outro post). Fora isso, decidimos aproveitar e conhecer o Camarillo Premium Outlets (cerca de uma hora de onde estávamos).

Para não perder tempo (quase oito horas total de viagem), acordamos cedinho, tomamos aquele café da manhã reforçado, fizemos o check-out e colocamos tudo no carro – devidamente abastecido e verificado na noite anterior.

Endereço programado no GPS do nosso confortável Ford Fusion (cor de chumbo). Bora rodar.

O dia estava clareando. Já dava para abrir o teto solar. Precisávamos sentir aquela brisa do mar.

Em direção à nossa primeira parada (Camarillo Premium Outlets), tudo transcorria conforme o previsto. Estávamos animadamente conversando sobre como a viagem estava sendo especial até aqui. Não podíamos parar de olhar para a paisagem maravilhosa que estava à nossa frente. Conclusão: acabei perdendo o acesso para a US-101 Norte para chegar ao Outlet.

Ainda bem que o GPS sempre encontra uma rota alternativa para compensar os erros humanos. Era quinze minutos mais longo que o trajeto original, mas era o que nos restava.

Seguimos em frente. O caminho não era tão movimentado. Bem menos tráfego de veículos do que antes. Ficamos um pouco apreensivos, mas continuamos. Só não sabíamos que estávamos sendo vigiados.

Não demorou muito tempo, surgiu, do nada, um jipe militar com quatro caras do tamanho do Dwayne “The Rock” Johnson (sim, aquela fortão do Velozes e Furiosos), mandando encostar o carro. Gelei.

Não demorou muito, um deles, não muito amigável, aproximou-se de nós e perguntou o que estávamos fazendo ali. Aqui é área militar e o acesso é restrito, complementou.

Gaguejando só conseguia apontar para o GPS. Quando me recompus, saíram mais algumas palavras e pude explicar que estávamos perdidos (bem perdidos na verdade). Foi aí que agradeci pelas aulas de inglês e pela meu teacher Ron.

O cara me instruiu a seguir o jipe e, quando chegasse em determinado ponto, eu deveria virar a direita (right, no problem, ok, ele frisou umas trinta vezes) e jamais para a esquerda (left, wrong, no good for you, ele foi bem enfático nisso).

Começamos a seguir o veículo militar e meu pé direito tremia (até me lembrou quando fiz o teste para tirar CNH). Aqueles poucos metros pareciam quilômetros e mais quilômetros. Só preciso virar para a direita, pensava.

Aqueles segundos pareciam horas. Fomos nos aproximando de um grande complexo militar (igualzinho dos filmes). Até tentei dar uma espiadinha, mas o bom senso gritava para ter foco.

De repente, o jipe virou à esquerda e nós… seguimos o nosso caminho à direita. Ufa!

Passados uns quinze minutos, com a base militar bem ao longe, olhamos um para o outro e caímos naquela gargalhada gostosa – típica de momentos pós-estresse. Virou um causo de viagem.

O que nos chamou a atenção aqui:

  • Enquanto as coisas estão transcorrendo de acordo com o plano, não faz diferença nenhuma você falar o idioma do local em que está visitando;
  • Mas quando o bicho pega, saber se expressar no idioma local (ou pelo menos ter acesso ao google tradutor) pode te ajudar e muito.

Também falamos aqui da liberdade que é viajar por conta e como valorizamos e incentivamos isso. Entretanto, dependendo do seu destino, contar com um guia local pode ser bem aconselhável.