Ele não tinha onde dormir e não podia se comunicar

Depois de doze horas de viagem (classe econômica), finalmente chegou ao seu destino.

Coração batendo forte, frio na barriga e garganta seca, era hora de conhecer a casa onde ficaria hospedado nos próximos seis meses.

Como havia esperado por esse momento!

Lembrou dos freela que pegou para fazer uma grana extra e agradeceu com carinho a primeira oportunidade: telemarketing. Vendas nunca havia sido seu forte e vender TV a cabo foi uma experiência e tanto. Cada dia uma aventura nova, uma descoberta sobre como as pessoas são e o que (não) esperar delas. E depois tinha ainda que encarar a faculdade à noite. Da turma do fundão, não era o melhor aluno, mais estava no pelotão de frente. Era carinhosamente chamado de “pescador” pelos colegas de classe (me diga quem não daria aquela cochilada na aula de Teoria Geral da Administração com o professor lendo os textos do Chiavenato, depois de um dia inteiro de trabalho?).

Do aeroporto é levado para a escola onde estudaria no período de intercâmbio. Chegando lá, nota que algo não estava certo. Cadê a família que iria me hospedar? Não deveria ter ido para uma casa ao invés da escola?

Com o inglês travado (estava lá para aprender), não consegue se expressar direito e não consegue respostas. Fica ansioso. Suor escorregando pelo corpo, começa a bater o desespero. Ser estrangeiro onde não falam sua língua pode ser uma realidade cruel.

Alguém, então, se aproxima. Toca seu ombro. Ouve um som familiar, aquela frase mágica que destrói muros, muralhas e gigantes: tá tudo bem?  Não daquele jeito que falamos com nosso vizinho ou ouvimos no elevador, mas aquele “tá tudo bem” de verdade, que vem do fundo do coração, que quer construir pontes e aproximar seres humanos.

Esperançoso, engole o choro, olha para cima e vê alguém que se compadece dele. Sim, fala português e quer me ajudar.

Logo consegue sua intérprete que informa o que estava ocorrendo: sua hospedagem acabou de ser cancelada.

A família anterior havia mentido em seu formulário (constava que poderia receber estudantes alérgicos, mas faltou avisar que moravam também na casa 14 gatos e 5 cachorros, o que é incompatível com quem tem alergia a pelo) e a escola prontamente decidiu que não receberiam mais intercambistas. O problema é que havia excesso de estudantes e falta de hospedagem.

Longa espera e a expectativa aumenta. Onde vou ficar?

Depois de algumas boas horas (ou é o que pareceu, afinal o tempo é sempre mais demorado para quem está no meio do furacão) , o caso tem uma possível solução: Ray e Joan.

Casal mais maduro, sem filhos e precisando de dinheiro, acabam de se candidatar para receber estudantes de outros países. O risco? Nunca haviam hospedado ninguém. A oportunidade? Nunca haviam hospedado ninguém.

A novidade implica em ausência de vícios. Sim, uma visão não empacotada, sem paradigmas e, portanto, sem vícios. Apenas um jeito diferente de fazer as coisas. Experiência demais, porém, pode viciar e barrar melhorias.

Entre dormir na escola e em uma casa sem referências, a segunda opção pareceu mais vantajosa. Parafraseando uma conhecida frase do amigo da vizinhança (tio Ben, esse é para você), grandes riscos podem trazer grandes recompensas.

Estava sozinho naquele país e precisava decidir. Esperar aparecer alguém com mais “referências” ou pular de cabeça no novo? Decidiu seguir o coração.

Let’s go for it, pensou. Vamos cair pra dentro e ver o que pega.

O resultado?

Seis meses inesquecíveis. Que casal! Que hospitalidade! Quantas conversas ao pôr do sol! Café da manhã na cama. Roupa lavada. Pequeno tour pela cidade e até cópia da chave de “casa”. A cereja do bolo foi o “batismo” do peixe de estimação do casal com seu nome. Quem já passou pela experiência, sabe que as casas que recebem estudantes estrangeiros não costumam ser tão hospitaleiras assim.

O novo pode assustar. O desconhecido incomoda. Gostamos de nossa zona de conforto. O problema é que ficar confortável demais paralisa e você fica preso em um mundo aparentemente perfeito enquanto a vida passa. Entra em um looping onde tudo parece o mesmo, muda um ou outro detalhe, mas nada que te traga um resultado extraordinário…

São os conflitos, os tropeços, as tentativas, as lutas e os desafios que constroem o caminho para uma vida vitoriosa, cheia de aventuras e aprendizado.

Encare hoje seu “intercâmbio”. Deixe de apenas existir e viva a plenitude em um mundo onde a única certeza é a mudança. Viaje mais. Viaje melhor. Viva mais. Viva melhor. Seja onde e como você estiver, apenas pare de sobreviver e se abra para o extraordinário.

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Publicado por leandrodall

Acredito que a vida pode ser EXTRAORDINÁRIA, não importa a circunstância. Cresci em um conjunto habitacional (antes o nome era BNH, agora é COHAB), onde vivi momentos lindos, mas também (bem) desafiantes. Com muito estudo, trabalho e fé tenho vivido. Administrador de empresas por formação, copywriter e escritor por paixão, viajante por hobby, minha maior aventura começou quando conheci a Jú, esposa e companheira em todas as horas (seja dia, seja noite, ela tá lá, digo, aqui do meu lado). Temos rodado o Brasil e o mundo há pelo menos 10 anos, viajando por conta própria e na raça. Decidimos compartilhar nossas experiências, de maneira leve, prática e divertida, para incentivar outras pessoas a descobrirem suas próprias aventuras. Seja o protagonista, roteirista e diretor de sua vida. Por que não começar a viajar mais e melhor HOJE? AGORA VAI!!!

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