1 de julho de 2020

A Lista da União Europeia: quem ficou de fora

Por leandrodall

Com o relativo controle da taxa de transmissão da Covid-19 era questão de tempo para as fronteiras europeias serem reabertas. Basta lembrar que o turismo gera muito emprego e renda na Europa. 13% do PIB italiano, por exemplo, depende disso.

Há cerca de duas semanas, as discussões sobre quem pode e quem não pode entrar na Europa vinham acontecendo. Hoje (30/6) foi aprovada a lista de visitantes permitidos (e bem-vindos), que será a cada quinzenalmente.

Os dirigentes da UE alegam que a lista foi elaborada de acordo com critérios de saúde. O indicador utilizado é a quantidade de novas transmissões para cada 100.000 pessoas. Países que tenham esse número superior ao do bloco europeu (atualmente 16) estão fora da lista.

De acordo com dados divulgados pelo New York Times, essa taxa é de 107 nos EUA, 190 no Brasil e 80 na Rússia. Ou seja, norte-americanos, brasileiros e russos não estão convidados para a festa de reabertura. Os turcos também estão de fora.

É bom lembrar que quando o epicentro da pandemia estava na Europa (março/2020), EUA e Brasil proibiram a entrada de pessoas vindas do UE.

No caso brasileiro, a proibição vale não apenas para europeus, mas para estrangeiros ao redor do mundo, salvo algumas exceções (residência permanente no Brasil; a serviço de organismo internacional; passageiros em trânsito internacional, desde que não saiam da área internacional do aeroporto e que o país de destino admita o seu ingresso; funcionários estrangeiros acreditados junto ao Governo brasileiro; et cetera).

A lista dos convidados inclui Argélia, Austrália, Canadá, Coréia do Sul, Geórgia, Japão, Montenegro,Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Tailândia, Tunísia e Uruguai.

A China poderá ser incluída nessa lista, caso conceda o livre trânsito para os europeus (princípio diplomático da reciprocidade).

Além da inclusão dos países de origem na lista, procedimentos adicionais no aeroporto europeu de destino são esperados. Poderá ser medida a temperatura do turista e realizados outros procedimentos, tudo para evitar a entrada de pessoas infectadas pela Covid-19.

Diferente da abertura de Dubai (confira aqui), portanto, a Europa teve por principal critério o nacional (país de origem) ao invés do individual (saúde da pessoa que está chegando). É uma pena.

Caso houvesse optado por procedimento semelhante ao do mais conhecido destino dos Emirados Árabes Unidos (Dubai), a União Europeia atrairia turistas brasileiros e norte-americanos, em pleno período de férias (julho), sedentos por experiências de viagem.

Ao fazer assim, quem perde são os próprios europeus, especialmente aqueles países que mais dependem do turismo. Agora é esperar e ver quando seremos chamados para a festa.