19 de julho de 2020

Amor Pandêmico (parte 5)

Por leandrodall

Pegou o celular e começou a procurar um nome em sua agenda. Sem rodeios, mandou uma mensagem para Sabrina: Podemos falar?

            Esperou um pouco. Não queria parecer ansioso, desesperado ou, pior ainda, carente. 15 minutos. Nada. 1 hora. Nada. 3 horas. Não aguento, vou ligar. O interfone do seu apartamento salvou-o do vexame. Era o vizinho oferecendo ajuda caso necessitasse de alguma coisa. Como que por um milagre, o telefone toca.

– João Marcos, boa tarde! O que você quer?

– Sabrina, fico muito feliz que você me ligou. Devo me desculpar. Fiquei assustado quando te conheci. Sabia que minha vida mudaria completamente com você. Paralisei. Quase pirei. Preferi me afundar no trabalho a pensar em você, a pensar em mudar de vida. Mas o destino bateu à minha porta. Bateu não; arrombou e tenho que tomar uma decisão que deveria ter tomado a muito tempo. Quero uma vida diferente. Aceito seu desafio e quero conhecer mais sobre os 5 poderosos que você me mostrou com tanto carinho.

– Vou aceitar suas desculpas porque sou fiel ao propósito de dividir meu conhecimento para que outros tenham uma vida melhor. Sobre nós, não sei. Sobre os 5, certamente.

            As 3 horas de espera logo se tornaram 4 horas de conversa. A conexão era inegável. João ficou muito triste por ter sido um grande babaca e quase (ainda tinha esperança) ter deixado passar a oportunidade de viver algo diferente com alguém muito especial.

            Ouvindo a voz dela era como se ele pudesse tocá-la. Conseguia quase que tocá-la. Lembrava-se de como ela estava vestida no dia em que se encontraram no aeroporto em Praga. Despojada, usando uma confortável calça jeans, tênis, uma camiseta da Mulher-Maravilha e uma jaqueta puffer – era a cara dela, super em todos os sentidos.

            Ela havia pedido suco de laranja, salada de frutas e um pão integral com manteiga ghee no aeroporto. O oposto de seu pedido: café expresso extra-forte, ovos mexidos com bacon e pão doce recheado.

            Ela falava e sorria. Parecia que conduzia uma bela sinfonia. O cheiro dela era maravilhoso. Lembrava lavanda. Sabrina parecia uma maestrina em um campo de flores no interior da França. Que espetáculo!

            Todas essas lembranças vieram à tona nos minutos em que conversou com ele. Que tolo! pensou consigo mesmo. Imagine perder essa chance! Não mais! Decidiu, do fundo do coração e com todas as suas forças, que mudaria por Sabrina. Que comecem as mudanças!

            Ao longo da conversa, a voz de Sabrina voltou a emitir aquele som doce de quando se conheceram e a conversa, um animado bate-papo, uma bela sinfonia! Antes de desligar, uma última recomendação: João Marcos, por favor, não me decepcione uma segunda vez porque se isso acontecer, será a última. (continua)