24 de julho de 2020

Amor Pandêmico (parte 6)

Por leandrodall

As conversas ficavam cada vez mais frequentes e intensas entre João Marcos e Sabrina.

Todos os dias, ele não via a hora de chegar o momento para falar com a amada. Era muito mais do que um bate-papo por meio do zoom: era o ponto alto do seu dia, o seu futuro, o maior dos seus sonhos, o melhor dos seus desejos. Se não era zoom, era whatsapp ou qualquer outro meio. De certa maneira, começava o dia pensando nela, sonhava com ela e acordava com ela.

Foram se conhecendo cada vez mais.

Já completavam as frases um do outro. Já tinham as mesmas referências. As piadas internas já davam para várias e várias sessões de stand-up de bom gosto. Entretanto, João Marcos ainda lutava para ter um estilo de vida mais saudável.

Sua dificuldade maior era se alimentar direito. Minha nossa, como odiava vegetais! Só servem para encher o espaço daquilo que realmente é importante, pensava.

Lembrava, porém, da sentença do seu médico e do seu compromisso com a Sabrina. Decidiu tentar, um dia por vez, sem desistir. Pensava, a cada manhã, hoje vou cuidar mais de mim. E foi indo assim. Até completar dias, semanas e meses…

Por influência de Sabrina, adquiriu um curso de yoga fit on-line e se apaixonou pelo exercício. Toda primeira hora da manhã era sagrada para cuidar do corpo. Entrou em uma vibe de meditação e gostou se sentir mais equilibrado, mais calmo e menos explosivo. Sua educação tinha sido cristã e aproveitava, sua hora tranquila, para ler a bíblia, especialmente os salmos e os provérbios, que sempre tinham alguma lição bacana para seu dia.

Começou a se sentir bem e a sensação não parava de melhorar.

Os 5 poderosos eram poderosos mesmo! Até melhorou seu sono quando começou a se alimentar melhor, não tomar café depois do almoço e a fazer exercícios.

Estava apaixonado por Sabrina e pela nova vida que descobrira ao tratar melhor do seu corpo, de sua mente, de suas emoções e de seu espírito. E, tudo isso, começou em plena pandemia da Covid-19 e, portanto, sem sair de casa!!!

Retornou ao trabalho, só que em um ritmo bem menos alucinante.

Utilizava as ferramentas da tecnologia da informação para contornar o isolamento social e os resultados de sua empresa não paravam de melhorar. Os setores que atendia (alimentício e bancário) sentiram o baque da crise, mas em escala menor do que outros ramos. O dinheiro não acaba, só troca de mãos – era um dos seus mantras favoritos.

Acreditava que nada substituía o conhecimento aliado ao trabalho árduo e assim ia prosperando. Um desafio por vez, um cliente por vez, uma meta por vez.

Depois do susto, tudo ia bem. Ou quase tudo. Chegou o momento de fazer uma proposta ousada para Sabrina e isso implicaria em mais mudanças. Era o momento do tudo ou nada.

As crises servem para isso: separar o joio do trigo, revelar o que realmente importa para gente e correr atrás. Por que perder mais tempo? (continua).