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1 de setembro de 2020

Não seja uma pessoa fácil (da série Os Segredos da Persuasão)

Por leandrodall

Strumming my pain with his fingers
Singing my life with his words
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life with his words
Killing me softly with his song

(trecho da canção Killing Me Softly with His Song, composta, em 1971, por Charles Fox e Norman Gimbel)

Naturalmente, gostamos mais de algumas pessoas do que de outras. Até mesmo o Mestre dos Mestres tinha seus discípulos favoritos e olha que o trio era dureza aos nossos olhos (Pedro, Tiago e João).

Uma série de fatores contribuem para curtirmos alguém.

A atração física é, obviamente, uma delas. O ditado beleza não põe a mesa, mas abre o apetite não poderia ser mais verdadeiro. Se até na gastronomia funciona assim, quanto mais com quem convivemos?

Associamos a beleza com o que é bom, o que é correto, o que é melhor. É fato conhecido e estudado por muitos psicólogos (e profissionais de marketing).

Ou você acha que modelos no stand de vendas de carros esportivos é mera coincidência?

Ou que os galãs de comédias românticas foram selecionados “aleatoriamente”?

E quando não for suficiente/importante a questão da beleza/atração física? Entra em cena o segundo nível da afeição: semelhança.

De maneira especial, em um mundo cada vez mais segmentado, os semelhantes se atraem.

Sim, pensa viver com alguém que pensa literalmente o oposto de você. Não é legal. Essa ideia de que os opostos se atraem só funciona no cinema e na física. Especialmente com os feeds das redes sociais (agradeça aos algoritmos), fica reforçado, cada vez mais, o contato com aquilo que curtimos, assistimos, clicamos…

Temos uma facilidade natural, espontânea, em criar laços com quem tem hobbies, ideias, história/background, formação acadêmica, trabalho semelhantes…

É interessante perceber que quanto maior a sintonia, mais parecidas são as frases e mais engraçadas (para o grupo) as piadas internas. E, se junto com a semelhança vierem elogios, daí é para casar… BFF for sure!

Somos facilmente tocados por doces palavras que exaltam nossos pontos fortes. E isso é bacana porque todo reforço positivo nos ajuda a nos tornarmos melhores naquilo que temos potencial.

A afeição é alicerçada pelo contato. Quanto mais frequente, maior será.

Até na vida profissional, quando a interação é de qualidade, renderá frutos em algum momento. Só é lembrado, quem é visto.

A contemplação reforça os sentimentos que sentimos por alguém. Quanto mais falamos, quanto mais fazemos algo em comum, quanto mais nos comunicamos, maior será o sentimento.

E, quando desenvolvemos objetivos em comum e agimos em cooperação, entramos em um estado de fluxo que vai manter esse relacionamento por muito tempo. O sucesso decorrente de esforços em comum dura para sempre.

E tudo isso é muito legal quando aplicado de maneira natural em relacionados. O problema é quando alguém quiser “forçar” uma afeição com você. Vou te dar um exemplo.

Você vai até uma concessionária comprar um carro (ou o produto/serviço que for). O vendedor é um cara bacana e, em menos de 30 minutos de conversa, você gosta pra caramba do cara. Percebe vários pontos em comum. Curti tanto que considera o cara quase que como um amigo com quem está fazendo negócios.

ALERTA DE SPOILER: Não sei se acontece no Brasil, mas, nos EUA, o momento em que é feita a avaliação do carro para entrar no negócio, é o momento também em que os vistoriadores procuram “pistas” de seus hobbies, gostos e preferências, tudo visando aprimorar o discurso de vendas.

Se vier uma proposta boa para ambas as partes e se você decidir comprar independente da opinião pessoal desenvolvida em relação ao vendedor, maravilha. Você está tomando uma decisão por si mesmo e comprando algo de valor para você.

Agora, quando o vendedor torna-se mais relevante do que o bem ou serviço adquirido, tá na hora de parar e respirar. Lembre-se que o vendedor não vai pra casa com você, apenas o que for adquirido.

Esse é o segredo para uma tomada de decisão consciente.

Claro que gostamos de ser bem tratados e tudo isso cria um ambiente propício para se fechar um negócio. Mas, se sua decisão for baseada principalmente no outro, significa, minha amiga e meu amigo, que as técnicas de vendas utilizadas deram muito certo.

Bora consumir de maneira consciente e viver mais e melhor? Lembre-se: a primeira pessoa a ser agradada é você, minha linda!

Já viu os outros posts da série de persuasão? Clique aqui para saber mais.