man in blue suit
8 de setembro de 2020

Siga um especialista?

Por leandrodall

Tenho um amigo que está começando a se aventurar no mundo das finanças pessoais. Funcionário público, está começando a planejar sua aposentadoria (provavelmente daqui 32 anos) e quer saber a melhor alternativa para investir seu dinheiro até lá.

Decidiu procurar a gerente de seu banco (um dos 3 maiores do Brasil) para conhecer as melhores opções. Prontamente, ela preencheu um questionário para entender qual o perfil do meu amigo (conservador, moderado ou agressivo), assim poderia recomendar algo que o agradasse.

Acabou recomendado um plano de previdência, do tipo Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), com aplicação majoritária no Tesouro Nacional. Meu amigo não gosta de correr riscos e acabou optando pela sugestão de sua gerente.

Não quis nem conhecer outras opções oferecidas por gestoras independentes. Queria resolver logo e não pensar mais no assunto. Algo me diz que o trabalho dele virá no futuro quando descobrir que não fez a melhor escolha...

Desde o início de nossa vida, somos ensinados a confiar em especialistas. Professores, pastores, médicos, advogados, engenheiros e a lista segue para todos os aspectos da vida. Para cada problema, um especialista – eis o eterno paradoxo da modernidade.

E a vida pode funcionar muito bem assim quando não há conflito de interesses, ou seja, o profissional, realmente, busca aquilo que será melhor para seu aluno/cliente/paciente. O problema é quando farsantes aparecem e querem se aproveitar dessa predisposição humana.

Reconhecemos um especialista pelos seus títulos acadêmicos, pelas suas roupas e pelos seus aparatos.

Os diplomas pendurados na sala do profissional impressionam seus visitantes. 3 letrinhas da mais famoso escola de negócios brasileira (FGV) dispensam apresentações.

Cada categoria profissional tem seu código de vestimenta. É possível identificar o cargo pela roupa: um médico usa jaleco, assim como um executivo um terno bem cortado e um clérigo uma tradicional vestimenta preta.

E, indo um pouco mais além, o carro que você anda diz muito sobre você. Um veículo nada mais é do que um status ambulante, declarando a todo mundo qual seu grau de sucesso. Você busca mais destaque em sua carreira e busca uma consultoria profissional. Vai escolher o profissional que anda de ônibus ou o que chega em um Porsche?

Pequenos símbolos (títulos, trajes, aparatos) embutem grandes significados. Conscientemente podemos nos negar a aceitar que somos influenciados pela aparência, mas o subconsciente não nega. E, sinais exteriores, podem ser imitados e muita fraude é assim produzida.

Como não é possível conhecermos de tudo, algumas dicas podem nos ajudar para não sermos enganados por “falsos especialistas” e especialistas com conflitos de interesse.

Em primeiro lugar, sempre desconfie de quem chega anunciando que é o top das galáxias. Eu desconfio de quem chega se apresentando usando “sou o doutor, a doutora Fulana de tal”, especialmente se o tom da conversa for mais casual. Penso que se promover é uma coisa bacana, mas deve ser feito com classe…

Questione se o especialista é realmente o especialista. Pesquise mais, obtenha uma segunda e terceira opiniões, antes de tomar qualquer decisão. Você, além de evitar uma decisão precipitada, acabará conhecendo um pouco do assunto, o que te ajudará a escolher de maneira consciente.

Em segundo lugar, assegure-se que o profissional seja honesto. Sei que essa é um pouco mais difícil, mas, no fundo no fundo, sentimos uma sensação diferente quando estamos sendo enganados. É um olhar diferente, uma proposta desconfortável, uma urgência para fechar negócio… Buscar referências aqui pode ser uma boa saída.

E, hoje, com as facilidades da tecnologia da comunicação, fica mais fácil puxar a capivara do especialista que pretendemos fazer negócio. Nesses casos, dar uma stalkeada é mais do que aceitável; é altamente recomendável.